Vestígios

sábado, 27 de junho de 2009

Quando o silêncio não cala.

Ela estava ali, toda presente em suas rendas e singularidades. Do único plural que desejava era a somatória de dois corpos em sintonia. Entregue num impulso desmedido que não fazia questão nenhuma de medir, apenas sentia – e talvez fosse essa coisa de pele que ouvira falar. Um nós, que já não mais suportava a espera, e não desejando nenhum porquê que a fizesse ir embora, ela repousou por toda aquela luxúria desde então desejada. Foi como um acordar em noite escura, lutando pra voltar ao mesmo sonho - de onde nunca quisera ter saído.

"- Sonhos, linda. São apenas sonhos.- disse-me".

Ele não acreditava nela: subestimava-a. Pensou que não soubesse caminhar além dos seus medos, a despeito dos próprios anseios. E ela, lembrava-se de cada vírgula dita, já que não conseguia pôr um ponto final, e a deixar interrogações ante tais negativas, tão reticentes. Sentia-o dentro de sua pele, o suor misturando-se às suas lágrimas, que não deixou à mostra, porquê, afinal, não poderia admiti-las. Não agora. Não quando somente um registrar de silêncios lhe era, talvez, suficiente. Não mais exigindo respostas, ela fotografa o momento. E o guarda pra si.

‘”Contudo, fingir que não me afeta, é pedir demais. Essa ânsia absurda que me consome não passará decidindo ignorá-la.”

E ela sentava-se sobre os pés, sempre descalços, e que já conheciam o caminho que a ‘destinavam’ a ele. Existia um destino? Não sei, era a resposta. Enxergava apenas linhas paralelas, que andavam lado a lado, porém nunca cruzavam-se. Buscava atalhos, e que no final, resumiam-se a curvas perigosas, a fogo em brasa e a desejos latentes. Um embate de egos, de contradições, de reservas emocionais. Um descontrole que percorria cada centímetro quadrado de sua mente com uma verocidade gritante. E ela grita:

Ele me despe todas as palavras, todos os meus argumentos, todos os receios. E de todas as maneiras. E assim eu fico transparente: Meus não’s viram sim’s na mesma intensidade em que meus sonhos se estilhaçam contra aquela parede impenetrável que impôs.'”

E ela, com teimosia insistente, segue. Talvez não mais à frente, talvez não mais atrás. Ela apenas caminha. Se veste novamente, e despe-se ao fim. Nua ela fica: quer despejar esse mais que não se cala.

E hoje, ela não quer calar:

"Me dê uma razão, mas não me dê uma escolha, porque eu cometerei o mesmo erro outra vez"*

Tamires Lima

*Same mistake, por James Blunt.

PS: Queridos,desculpem-me a ausência, mas logo mais voltarei a rotina por aqui, e perdoem-me os atrasos, sim? Só tenho a agradecer a todos que caminham por aqui. E meu sorriso é imenso, a todos vocês.

27 comentários:

Jorjão disse...

Simplesmente maravilhoso!!!
VC é excelente moça, escreve com tanta aplicação.
Continue dessa forma.
Um gde beijo a vc!

Paloma Flores disse...

Lindo. Lindo, lindo, lindo!

Glau Ribeiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Glau Ribeiro disse...

[erro de português. c sabe q num aguento né? ai vai de novo]

Ai Xuxuzinho meu, é que esse erro parece o acerto mais gostoso da vida, né? É que a gente sabe ser um erro, quando na verdade o gosto na boca é de acerto. De coisa certa a se fazer. E a gente faz. Porque deixa a gente feliz. Porque trás sorriso pro rosto. Porque o coração se aquece e acalma.

É que eu vejo cada vez mais nítido o teu amor personificado, aqui. E vou desenhando na tua história cada linha. E cada sentir. E cada acerto!

E tendo a certeza que ser o amor é o certo a se fazer. Porque transforma o que estiver por perto, em amor igual. =)

E cada vez mais admiro esse teu jeitinho de trazer nas palavras os sentimentos dessa vida.

Beeeeeeejo, trenzim mais lindo meu!

Aline Aguayo disse...

Coisa gostooosa de ler!
Adorei!
Vc e a Glau, ó! Tem o dom, mesmo!
Adooooro passar aqui!!!
Beeeijos!

Ricardo Rodrigues disse...

"se gostar dela é errar, quero errar sempre..."

Thiago Assis disse...

É um blog ou um livro o que eu estou lendo aqui? ^^
Perfeitamente escrito.

Tão psicologico quanto Clarice.

E uma ótima dica musical pra completar, sou fã de james Blunt antes dele ir para uma novela da globo e muito antes de Ana carolina e Seu Jorge assassinarem uma musica dele com a versao em portugues que criaram =D


Eu to trocando de blog e te aguardo no novo, tá? ^^
www.euthiagoassis.blogspot.com

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Tarimes,

Calar pra quê? Solta a voz e o coração.

Beijo grande, menina linda.

Rebeca

-

Jaya disse...

“Ele me despe todas as palavras, todos os meus argumentos, todos os receios. E de todas as maneiras. E assim eu fico transparente: Meus não’s viram sim’s na mesma intensidade em que meus sonhos se estilhaçam contra aquela parede impenetrável que impôs.'”

Ah, Tami, Tami, Taaaaaami! Como eu sei o que é isso, minha linda!

Teu texto é bonito, sim, e de uma aflição tão imensa, que eu mordi os dedos e enrolei os cabelos pensando em como essa coisa de sentir é dona desvairada da gente, em certos momentos.

Aiai...

Te espero. Sempre espero.

Beijo, frô.

{Nanda}_FX disse...

Ahhh minha linda amiga...

Como me vejo em suas palavras...
Consegues tanto traduzir a essencia, aquilo que realmente toca a alma...

amei... como sempre!

beijos de saudades

Tempestade disse...

Adorei, lindo lindo!
Quando puder, passe lá, tem selo/meme pra você aqui: http://tempestade-jesuisentraindechercher.blogspot.com/2009/07/selos-e-memes.html

Beijos Tempestuosos!

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Tamires,

É por isso que você escreve tão lindo e com alma. Sensibilidade na ponta dos dedos é o que você mais tem.

Beijo grande, menina linda.

Rebeca

-

meus instantes e momentos disse...

gosto daqui...
beijos pra voce.
Muitos.
Maurizio

Larissa disse...

Oi linda, andei sumida daqui também, estava num vazio criativo enorme, então fiquei na minha, não costumo forçar nada, quando vem, veio. Suas palavras sempre lindas, viu? Beijo, querida. :*

vanessa. disse...

Nossa. Lindo demais, moça.


Beeijo
:*

Rabisco disse...

Olá!
Depois de algum tempo ausente cá estou eu de volta para fazer uma visita!
Parece que não sou o único que andei sem tempo!
=)

O silêncio pode mesmo ser o som mais ensurdecedor do mundo e arredores, não é mesmo?

Beijinhos

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

O Néctar da Flor oferece um selo DIGA NÃO AO PLÁGIO! Somos originas, porque somos únicos. Cada ser um humano tem uma emoção individual. Por mais que as palavras e os pensamentos sejam parecidos, não temos o direito de pegar algo de alguém e dizer que é nosso. Não podemos trocar palavras e rasurar o sentir do próximo. Encontramos inspiração em alguém, na natureza, na vida, mas não temos o direito de copiar sentimentos. Inspiração é uma coisa, xerocar palavras alheias é outra.



Beijos jogados no ar, sempre!



[para pegar o selo clique na imagem]



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~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

O Néctar da Flor oferece um selo DIGA NÃO AO PLÁGIO! Somos originas, porque somos únicos. Cada ser um humano tem uma emoção individual. Por mais que as palavras e os pensamentos sejam parecidos, não temos o direito de pegar algo de alguém e dizer que é nosso. Não podemos trocar palavras e rasurar o sentir do próximo. Encontramos inspiração em alguém, na natureza, na vida, mas não temos o direito de copiar sentimentos. Inspiração é uma coisa, xerocar palavras alheias é outra.



Beijos jogados no ar, sempre!



[para pegar o selo clique na imagem]



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Glau Ribeiro disse...

Passou da hora, Xu! Passoooooou da hora de atualizar esse trem aqui néééé???? Andaaaaaaa, é prao onteeeem!

Atualizaatualizaatualiza! Senão eu vou começar a fazer pirraça e daí c tá ferraaaaaaada! huhuhuhuhu...

beejo!

Glau Ribeiro disse...

Aaaaaaaaaaaah! Cabei de ver que depois de amanhã a gente faz aniversário de um ano!

Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuulllllllllllllll

\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/

Aline Aguayo disse...

Li, reli!
Apareçaaaaaaa!

;*

Átila Siqueira. disse...

Ah, Tamires, você continua escrevendo coisas lindas para me encantar, né?

Contigo não tem jeito mesmo, sempre escrevendo versos em prosa, da melhor maneira possível, com a sua sensibilidade tão encantadora e a doçura que só teus versos prosados têm.

Amei o seu texto, e te agradeço por ter postado e me dado o privilégio de poder lê-lo.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.

Sunflower disse...

Calar? jamais!

Beijas

Junkie careta disse...

Estou vendo que ultimamente,no seu texto, vc tem tirado mais do que os sapatos baby,e, insisto, isso tem feito um enorme bem para o seu texto! Vc está cada dia mais exposta,mais ousada e com a coragem de se mostrar frágil,de demonstrar medo,de desejar e não se culpar por isso(o que é um mal que abate boa parte das mulheres,a tal "culpa católica"), correndo mais riscos, vc está semi-nua baby. Como já disse um poeta mineiro, seu streap-tease da alma está sedutor :).

Parabéns ao "muso" que tem lhe inspirado.Espero que ele saiba reconhecer sua grandeza,

Grande bjo

Ricardo Rodrigues disse...

preciso de palavras novas... saudade

Byers disse...

Mais um belo texto que usa e abusa das tensões!

Tem talento flor! To orgulhoso viu.rs

Jússia disse...

Incrivelmente, encantador. O teus textos, bonita, me faz ter esperança de um mundo colorido. Teu "eu-lírico" é divino, transforma dor em poesia-prosa.