segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O inverso do avesso.

(ou vice-versa)

Eram palavras soltas, meu amor. Não busquei tuas frases inteiras, complexas e tão dispersas.
Não, amor. Eu não quis. Apenas brinquei de quebra-cabeça, na rua, na cama. Na tua lama.
Fugistes, meu menino. Por quê?
Curvas não te são mais perigosas? Diga-me, do que tem medo?
Da dança, do cheiro, do meu avesso? Ah, quanto inverso!
Tua prosa foi sem letras, e me remeteu a valsa…
Ah, rapaz, prefiro salsa, e se possível, merengue!
- Com açúcar, por favor.
Amargo nunca me satisfez.
Deixe os pés criarem luz própria, dance!
Dance a vida, o luar, o bem-querer!
Tanta teimosia, quanta hipocrisia! Me fingi querer matar a paixão!
Eu te digo:
- Ela tem sete vidas, meu bem. Multiplicadas por 100.
E teu coração? Ah! ele não é indolor!
Escuta as trovoadas? Quero-as no lugar do marasmo.
O estado letárgico, por enquanto, cansa.
Me dê luzes difusas, ofuscantes.
Me arraste em meio aos anseios delirantes!
Te embebedo, te quebro. Te enquadro num quadro,
num canto qualquer, te faço arte, te deixo à parte.
Essas conversas em vão, esse vão de conversas.
Adianta quando não estás preparado em despir-se pra mim?
Tão reticente você foi, tantas interrogativas eu pus.
A cadência do tempo nos é diferente. Em meio ao barulho, grite!
Sinta-me ardente.
- Sim, ainda estou aqui. Ao inverso avesso, no avesso inverso.
Não mais a mesma que conheceu, agradeço por assim me deixar.
Vai juntando as letras, procure as traduções.
Eu faço as minhas enquanto danço.
E minha dança é infinita, bêibe.
Nesse labirinto sem saída, aguarde:
um Xeque-Mate te espera.

"Só vou te contar porquê
você ja é de casa,
Eu tenho um lado doce
que quase ninguém vê"*

Tamires Lima
* Ana Carolina e Preta Gil- Estéreo

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Título em branco.

“É como se a gente pressentisse
Tudo que o amor não disse
Diz agora essa aflição”
*

Queria que não doesse, e queria me fingir de forte. Queria ignorar as lágrimas que caem, e dizer que aquelas palavras não-ditas não me faziam falta.

E é querer, apenas.

Quis também mostrar um arco-iris inteiro, permeado em nuances de esperança que se perdiam nos tons de saudosismo insistente. Voltar no tempo e ter a certeza que faria tudo novamente, como sempre fiz.

Roubar todas as cores pra mim, te fazer aquarela. Em borrões de tinta, de um abstrato pra te fazer concreto. Ímpeto absurdo ao querer resgatar teus pincéis, há tempos esquecidos, perdidos nessa tua desorganização proposital. Queria e não quero, se é pra assim ser, forçado e não recíproco.

Tenho tanta lembrança, e de tanta 'pouca' coisa, você me diria. Mas eram desses detalhes que constituíam o meu todo de felicidade. Foi num sorriso que me perdi, num toque que me consumia por inteira, e fazia meus suspiros serem absorvidos em goles da certeza de um futuro, e tão urgente ele era.

Saudade, simples assim.

E hoje não adianta te dizer que ela não dói, de que a fiz insípida em minha boca. Ela ainda tem gosto de passado, presente e futuro. Aquele olhar que me vinha de soslaio, e cheio de desejo, me deixando como lava em suas mãos, ainda arde em meio as minhas lembranças.

E te todas as palavras que daqui saíram, quis tomá-las para mim novamente: Da mesma boca que diz que Ama, te deixar um silêncio. Um silêncio que não quer calar, mas que fica guardado no fundo da gaveta, num baú de fantasias, à espera do baile da meia noite que foi prometido.

Vem, traz o tempo.

Traz as canções. Traz o amor. Venha do jeito que for. Faz a inspiração voltar. E eu sei que volta, porque as notas estão aqui, à espera. O vento não faz sentido anti-horário, e eu vou em busca da brisa mais fresca, do canto mais alto, da incerteza mais certa, da paixão mais avessa, da sedução mais pura, e nua. Desse sonho tão entregue.

Tamires Lima.

*Lenine

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Ps: Sei que está repetitivo pedir tantas desculpas, mas o tempo realmente está escasso na preparação do Trabalho de Conclusão Curso da faculdade. Mas quero que saibam que sinto saudades de ler vcs com mais frequência, pq realmemente, por aqui, cada dia é um aprendizado. E uma delicia sem tamanho. Obrigada por tudo, sempre.

Ps2: Título REALMENTE em branco.