Vestígios

segunda-feira, 23 de março de 2009

Pra acordar a sensibilidade.

.
- Chame-a devagar, baixinho.
Assim, como quem não quer nada. Ela pouco se encanta por estrondos, bombardeamentos. Ela é bossanova, digo. Vá na ponta dos pés, deslizando em cada traçar. Mas não perca a direção: Ela sempre te espera. Lá ou aqui. Sensibilidade nem sempre sofre de insônia. Dorme, profundo, à luz de velas. Olhos caem, na penumbra. Por isso, provoque-a: com sorrisos na boca, na fala e no olhar. Esse mesmo que pára e diz: -
Estou aqui, e preciso que acordes. Pra [me] sentir.
Deixe na vitrola, sinfonia gostosa. E faça serenata com violão, guitarras, baterias ou saxofones, desde que continue nesse balancê suave. Na janela, derrube rosas. Pro perfume espalhar. Sabes, ela sente o cheiro. Ela ouve a canção. Mas, ainda não enxerga. Então, prossiga! Vista roupa mais bonita, em cores diáfanas e tecidos de seda. Ofusque sua visão, dê banho de luar. Balance ao sabor do vento pra ela não temer seus passos. Traga-a pra pertinho de si. Enlace-a, e deixe fluir. Ela está começando a sentir. Na verdade, ela sempre esperou que o primeiro passo fosse o seu: Um grande seu, dois pequenos dela. Assim começa a história. Toque-a, esparrame-se na tua valsa. Murmure baixinho: - Ei, deixe que eu te leve. Não tenhas medo. E seja sensível também pra ouvir: - E se eu não acordar?
Então você sorri, e percebe que ela também teme. E por isso sente. Ela é sensibilidade, esqueceu? Seus sentimentos estão na pele da flor, na flor da pele. Puro toque de cetim. Algodão se preferir. A respiração de tão acelerada que foi, e de tão próxima que estava, acordou-a. Ela finalmente sentiu. Porquê? Respiraram juntos.
No fim ele percebeu: Também dormia. O sonho se fez, em conjunto. Gritaram em uníssono. Chegaram juntos ao clímax. E de tão intenso que foi, sensibilidade misturou-se. No eu, no seu. Numa mutualidade que não repousava sozinha na cama. E percebe que a dois é muito mais bonito de se ver. Mais gostoso de se sentir.

- Sinta. A recíproca se fez verdadeira.

Tamires.
E como trilha sonora:
“Que tal, abrir a porta do dia? Entrar sem pedir licença.
Sem parar pra pensar, pensar em nada.
Legal, ficar sorrindo à toa. Sorrir pra qualquer pessoa.
Andar sem rumo na rua.
Pra viver e pra ver, não é preciso muito não.
Atenção, a lição está em cada gesto.
Tá no mar, tá no ar, no brilho dos teus olhos.
Eu não quero tudo de uma vez, não.
Eu só tenho o simples desejo:
Hoje eu só quero que o dia termine bem.
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem.”

(Luciana Mello – simples desejo)
.
.
Ps: Inspirou-me: Perfume - crônica presente no livro ‘Flagras’ – iEditora, 2003, do Flávio Berto, vulgo
Lobo Monday Um amigo que só me arranca [mais] sorrisos, a cada dia que passa. Obrigada mais uma vez, Flá! Beijos em ti.
.
Ps II: Estou em falta com muitos blogs, porque meu computador está de 'molho'. Mas já volto pra sorrir com vocês. Desculpem-me por enquanto.

8 comentários:

gabyshiffer disse...

Olá Tamires,
Adorei a crônica...
Chegar de mansinho sem fazer barrulho...
Chegar como uma brisa que canta...
Chegar com carinho...
essa é a maneira que gosto que cheguem...rsrs
Que me acordem...
Que me despertem os sentidos...
Boa tarde pra vc amiga...
Beijos na alma!

Felipe disse...

"Ela" é linda.
Realmente desejável.

Beijos

Átila Siqueira. disse...

Amiga querida, seu texto é maravilhoso. Tu precisas lançar um livro logo, para dividir essa sua forma de escrever com mais pessoas.

Tu és uma artista de mão cheia, além de uma amiga extremamente querida para mim. Eu fico honrado em ser um escritor da mesma geração que uma escritora tão talentosa como tu.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.

Monday disse...

quer dizer que o Perfume te inspirou, Chapeuzinho? rsssss

pena que na crônica alguém não acordou, né?

D.Ramírez disse...

E que linda inspiração. Bela como o blog.

Saudades daqui..

Besos

Glau Ribeiro disse...

E eu fico aqui de boca aberta, de pé, aplaudindo suas palavras, Xu. De tão lindas, me deixaram muda. Tô procurando, mas não acho. É que ficou perfeito demais pra qualquer comentário.

...

E faço releitura só pra absorver esse doce em mim. É feito mel, e não enjoa. Combino assim com você: fico aqui só sentindo, porque hoje, você me arrancou todos os sons. Vou de silêncio. Aconchegando em você.

Te abraço forte, pra num largar mais.

Byers disse...

Fala mocinha! :)

A Sunshine saiu ! than ! than than !

Passa la no www.rubensmedeyros.blogpsot.com e baixa o PDF, espero que goste da ilustração que fiz pro seu poema.

:) creio que vai gostar sim !

Depois se tiver tempo e paciencia comenta no meu blog as suas impressoes!

Fui !

Thiago Assis disse...

adorei tua receita, a riqueza de detalhes a deixa muito mais esclarecedora =]


http://www.thiagogaru.blogspot.com